Completaram-se recentemente respectivamente 13, 11, 9 e 1 ano, sobre as agressões contra os Povos da Sérvia, Afeganistão, Iraque e Líbia, orquestradas pelos Estados Unidos da América com a cumplicidade criminosa dos comparsas europeus da NATO. Agressões baseadas em falsos argumentos, mentiras, factos deturpados, pretensos genocídios, não deixando de fora as aterradoras armas de destruição maciça, propagandeadas pela comunicação social engajada nas teias do Império, que afinal nunca passaram de mentiras, nada piedosas porque do seu saldo resultaram centenas de milhares de pessoas assassinadas pelos soldados do Império e seus comparsas e países totalmente arrasados.

Num quadro onde agentes secretos se fizeram passar por jornalistas, onde jornalistas renegaram a sua obrigação deontológica de relatarem a verdade factual, o que se verificou foi o silenciamento dos poucos que mostraram a verdadeira face do que acontecia. Mudando Comissões, seja no Kosovo, seja na Síria, quando estas chegavam a conclusões contrárias às que o Império impunha! Mostrando imagens que não correspondiam ao que diziam! Sempre num gigantesco esforço de mascarar os reais objectivos que estavam por detrás das invasões assassinas! Mesmo na mais recente invasão da Líbia, até as declarações do embaixador português foram secundarizadas, porque não correspondiam à ”verdade” do Império! De armas de destruição maciça, nem cheiro, do “genocidio”, o aumento desavergonhado do número de mortos, mostrando mortos em combate como simples civis barbaramente assassinados pelas forças do “regime”, etc. Não acusamos de ânimo leve tais governantes assassinos, sejam eles Bill Clinton, George Bush ou Barack Obama, os mestres dos comparsas menores como Blair Asnar, Barroso, ou Sarkozy. Para estes governantes, o Direito Internacional tornou-se num empecilho à sua nova ordem mundial, onde o saque de matérias primas (petróleo, etc) é o prémio desejado, confirmando que quando fazem a guerra o único objectivo que perseguem é o roubo do que a outros Povos pertence.
De facto, a NATO é o que sempre foi, o instrumento militar de agressão ao serviço do Império e dos seus aliados na exploração dos Povos. Nunca tal organização teve como preocupação a democracia – nós, Portugueses, lembramo-nos muito bem do apoio da NATO a Salazar, como os Gregos se lembram do apoio da NATO ao regime dos Coronéis, como os Espanhóis se lembram de que Franco nunca foi por ela hostilizado. A bandeira do Direito dos Povos à Liberdade, à Auto-determinação, à Democracia real e ao fim da Exploração jamais lhes pertenceu, é apenas um slogan publicitário usado na arma da propaganda. Para a NATO, tal como no passado serviram as organizações nazi-fascistas para combater o Movimento Popular na Europa, a célebre Operação Gládios, erve-lhes hoje o fundamentalismo Islâmico para combater o movimento popular no Médio Oriente. Como não os incomoda transportar da Líbia para a Turquia combatentes da Al Qaeda em aviões sem dísticos, como fez recentemente para Iskenderum, junto à fronteira da Síria. Como lançaram sem qualquer pudor militares britânicos e franceses para alimentar uma possível guerra civil da mesma Síria, com a sua Turquia a servir de testa de ferro para agrupamentos de terroristas mercenários – é o próprio Secretário de Estado norte-americano, Leon Panetta a dizê-lo perante o Congresso. A que se soma o dinheiro da Arábia Saudita e do Qatar a correr livremente, tudo para que se “justifique” junto dos cidadãos dos seus países a intervenção armada “humanitária”. Chegando mesmo à desavergonhada omissão do Relatório que a Missão da Liga Árabe elaborou em Janeiro passado e onde era patente o chorrilho de mentiras que a comunicação social nos impunha e continua a impor! Porque o seu objectivo é claro: destruir os governos que se opõem à rapina dos seus recursos naturais. Onde quer que seja! E, jogando em diversos tabuleiros, mostram assim à Russia, à China e aos BRIC’s que eles são o verdadeiro objectivo da guerra há muito planeada, enquanto tratam de os impedir de atingirem patamares de desenvolvimento que coloquem em causa a existência de um Mundo Unipolar. Porque o Império UsAmericano pode estar ferido, pode estar a caminhar para a falência, mas continua com as velhas ambições de explorar todos os Povos do Planeta. Levando às costas os seus agentes europeus! Daí que invista perto de mil milhões de dolares este ano, a maior quantia gasta desde a segunda grande guerra, com as suas forças militares. Mais do dobro que o somatório dos dez paises que se lhe seguem em gastos militares!
 
Hernani Magalhães
Março 2012