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A propósito das recentes declarações da chefe da diplomacia europeia Catherine Ashton, sobre a intenção da União Europeia (UE) de enviar 1.000 soldados para a República Centro-Africana (RCA) – a somar aos 2.000 militares franceses e os cerca de 4.500 militares da União Africana (UA) que já se encontram no terreno – o CPPC alerta mais uma vez para os reais objectivos desta intervenção: branquear a intervenção já em curso do governo francês e os seus objectivos neocoloniais de exploração de recursos naturais, não só deste país, mas também desta região centro-africana.



O CPPC salienta que a UE não tem autoridade para decidir sobre o envio de tropas para a República Centro-Africana, sendo tal uma competência da ONU, nomeadamente tendo em conta a posição da União Africana.

O CPPC defende que a solução do conflito na República Centro-Africana só será ainda mais dificultada pela ingerência daqueles que apenas pretendem saquear os seus recursos naturais, promovendo e exacerbando as contradições e problemas existentes para deles tirar partido em seu proveito.

Sobre o posicionamento do governo português perante a questão - que está a equacionar o envio de equipamento militar (um avião Hercules C-130) e cerca de 30 militares da Força Aérea Portuguesa - o CPPC exige o respeito pelo ponto 1º do artigo 7º da Constituição da República Portuguesa, designadamente quando se afirma “Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e progresso da humanidade.”

Assim, o CPPC alerta a opinião pública para o abuso intervencionista e a ilegalidade dos propósitos e meios que estão sendo mobilizados para mais esta tentativa de “recolonização” de África por parte da UE, nomeadamente através da força militar francesa e a intolerável complacência e colaboração do governo português.